Joias e Dentes: uma longa história

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Os dentes e as joias sempre estiveram ligados na história e até hoje continuam aparecendo em questões que levantam questionamentos estéticos, culturais, médicos e muitos outros.

Hoje vamos falar um pouco sobre essa relação ao longo dos anos.

Pré-História

Hoje já se sabe que na pré-história as joias já estavam presentes e que as primeiras joias foram utilizadas pelos  Cro-Magnons, ancestrais do Homo Sapiens há cerca de 40.000 de anos. 

Na época, os materiais utilizados eram muito diferentes dos que usamos hoje em dia.

Ossos, pedras, dentes, conchas e madeira eram utilizados como amuletos e como forma de demonstrar poder e status social entre os povos pré-históricos.

Curiosamente, mesmo com o passar dos anos, esses materiais não deixaram de estar presentes nas joias, apesar da evolução dos povos e da globalização, que fez com que joias não figurassem apenas como símbolo de poder ou religiosidade, mas também como adornos estéticos e até como demonstração de estima e apreço por outras pessoas, como é o caso das joias feitas com dentes de leite de bebês.

Recentemente, a revista Galileu publicou uma matéria explanando os resultados de uma pesquisa divulgada pelo Journal of Archaeological Science: Reports, que revelou ter encontrado dentes humanos usados como joias há 8,5 mil anos na região da Turquia.

A descoberta já havia sido documentada em outros lugares, especialmente na Europa, sempre relacionada aos períodos do Paleolítico Superior, Mesolítico e Neolítico, mas foi a primeira vez que a dentes esculpidos em forma de joias foram documentados na região nordeste pré-histórica.

Os dentes molares de mais de 8.000 anos, provavelmente foram esculpidos para serem usados como pingentes de colares ou braceletes.

Ainda não se sabe qual era o significado dessas joias e nem quem as estava utilizando, mas sabe-se que havia algum valor especial pois a descoberta não é comum, o que revela que não eram todas as pessoas que podiam ter uma joia do tipo na época.

Indígenas

As pinturas de Debret, realizadas no século XVIII, mostram os índios brasileiros adornados com joias decoradas com penas e dentes de animais.

Quanto mais ornamentado era o índio, mais poder ele representava diante da tribo.

Os Matis, indígenas brasileiros do Amazonas, chamados de cara de onça, não usavam apenas os dentes como pingentes, mas sim um dente atravessado no nariz, o que seria visto na sociedade moderna como um tipo de piercing.

Europa

Engana-se quem pensa que os dentes só foram usados como joias e amuletos nos tempos antigos ou por tribos indígenas ou africanas.

Há uma lenda portuguesa que conta que, em 1920, um homem chamado Manuel António Martins carregava consigo um colar de prata com um dente de São Frutuoso, um ex-arcebispo que tinha poderes excepcionais para curar pessoas e animais mordidos por cães raivosos.

O dente era chamado de Dente Santo e Manuel era frequentemente procurado para benzer pessoas que teriam, supostamente, contraído raiva.

Segundo a história, ou lenda, nenhuma pessoa benzida pelo amuleto morreu de raiva.

Como se pode ver, há de fato algum misticismo em torno dos dentes que faz com que eles seja considerados dignos de serem carregados em joias e se tornarem heranças pessoais e até de civilizações inteiras.

Alguns dos possíveis motivos talvez sejam o fato de dentes serem mais resistentes do que pedras, sua durabilidade estender-se além da existência do restante do corpo ou algo assim.

Os verdadeiros motivos ainda são fruto de pesquisa científica e história e quem sabe um dia, esse mistério seja revelado a todos que se interessarem em descobri-lo.

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