Academia Nacional de Medicina premia David J. Cohen

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O Prêmio foi dado pelo melhor trabalho experimental de 2020 realizado no Brasil

Durante o Programa Científico virtual realizado no último dia 6 de agosto pela ANM – Academia Nacional de Medicina, os vencedores das nove categorias dos Prêmios ANM 2020, cujos nomes haviam sido anunciados no dia 30 de junho, durante a comemoração dos 191 anos da instituição, fizeram a apresentação de seus trabalhos e receberam seus prêmios – criados em 1829, são os mais antigos do país.

Dentre os vencedores, o urologista paulistano David Jacques Cohen, da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, em Santo André/SP, Mestre em Ciências da Saúde e Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, da Sociedade Latino Americana de Medicina Sexual, da European Urological Association (EUA) e da International Society of Sexual Medicine, dentre outros títulos.

Ele recebeu o Prêmio Miguel Couto pelo melhor trabalho experimental de 2020 elaborado no Brasil, denominado “Novo modelo in vivo para avaliar alterações macroscópicas, histológicas e moleculares da doença de Peyronie”.  Tal reconhecimento se constitui num importante passo para o tratamento deste terrível mal que é caracterizado pela formação de cicatrizes no tecido que reveste o corpo cavernoso do pênis, uma estrutura conhecida como túnica albugínea (TA), causando curvatura peniana e disfunção erétil. Acomete entre 0,4% e 9% dos homens. Sua etiologia e fisiopatologia são pouco conhecidas e, por isto, seu tratamento é limitado e com pouca eficácia. Aliás, este é o segundo prêmio que o Dr. David recebe por este trabalho. O primeiro foi durante o XV Congresso da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual realizado em dezembro de 2019 em São Paulo, como o Melhor Trabalho do evento.

Segundo o Dr. David, “o grande dilema da doença de Peyronie é a não compreensão de sua fisiopatologia e como consequência uma ineficácia de seu tratamento em sua fase inicial. Em grande parte, isso ocorre pela falta de um modelo experimental confiável e que replique de forma fidedigna as alterações encontradas nos pacientes. O nosso modelo experimental é o modelo in vivo atual mais representativo da doença de Peyronie e desta forma pode ser utilizado para a experimentação e descoberta de novas medidas terapêuticas no combate à essa doença”. E complementou:

“Ser congratulado com o prêmio da Academia Nacional de Medicina é uma grande honra e me deixa muito feliz. Sensação de que estamos no caminho certo para auxiliar cada vez mais nossos pacientes”.

Foram seus orientadores o Dr. Sidney Glina, Professor Titular da Disciplina de Urologia e a Dra. Maria Aparecida Pinhal, Professora Titular da Disciplina de Bioquímica, ambos da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, e coautores Willany Veloso Reynaldo, Vivian Barbosa Navarro Borba, Thérèse R. Theodoro, Giuliana Petri, Renan P. Cavalheiro, Ana M. Mader e Sang Won Han.

Sobre o trabalho premiado

“O trabalho do David pela primeira vez conseguiu fazer um modelo experimental animal da Doença de Peyronie, que é uma doença que afeta bastante a qualidade de vida e da atividade sexual em cerca de 4% dos homens com mais de 50 anos. Este modelo pode permitir que estudemos terapias para tratar esta doença. Os prêmios obtidos corroboram esta importância, principalmente o Prêmio Miguel Couto da Academia Nacional de Medicina, uma entidade importantíssima da Medicina brasileira”. –  Dr. Sidney Glina

“O trabalho desenvolvido pelo David Cohen é um exemplo de pesquisa translacional que relaciona o conhecimento das áreas básicas com áreas clínicas. Os estudos realizados relacionam as informações da biologia molecular e bioquímica com a urologia que avalia aspectos clínicos da doença de Peyronie. O resultado da pesquisa translacional permite compreender com muito mais clareza os mecanismos moleculares e celulares envolvidos no desenvolvimento das doenças, além de evidenciar moléculas específicas que apresentam potencial alvo para futuras terapias. A pesquisa translacional é de extrema importância, pois permite o avanço expressivo do conhecimento das ciências básicas e aplicadas”. –  Dra. Maria Aparecida Silva Pinhal.

Sobre o Dr. David J. Cohen

Formado em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC – FMABC, Santo Andre/SP,  especialista em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia, médico urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Membro da equipe do check-up do homem do grupo Fleury de São Paulo e da diretoria da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual, revisor do Journal of Sexual Medicine e do International Brazilian Journal of Urology e assistente da disciplina de urologia do Instituto do Homem (Hospital Brigadeiro), onde atua no setor de litiase do trato urinário na orientação e formação de residentes.

Em 2013 realizou fellowship na Cornell University, no Presbiterian Hospital de Nova Iorque, sob supervisão do Prof. Ash Tewari, referência em cirurgia robótica. Em 2014 fellowship de pesquisa básica no John Hopkins Hospital em Baltimore, sob supervisão do Prof. Trinity Bivilacqua com enfoque em doença de Peyronie.

Além dos prêmios acima mencionados, o Dr. David foi o primeiro colocado na Prova Teórica do Curso Continuado de Cirurgia Geral, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em 2006.

Sobre a Academia Nacional de Medicina

No dia 30 de junho deste ano a ANM – Academia Nacional de Medicina completou 191 anos. Fundada no reinado do imperador D. Pedro I, a Academia Nacional de Medicina, de forma frequente, recebia D. Pedro II que, por mais de 50 anos, foi um assíduo ouvinte das conferências sobre ciência e saúde. Sua cadeira permanece no Salão Nobre da instituição, até os dias atuais. Com enfermidade avançada, no dia 30 de junho de 1889, presidiu pela última vez, a sessão de aniversário da instituição.

De 1829 a 2020, a Academia elegeu apenas um seleto grupo de 674 médicos brasileiros que ocupam uma das 100 cadeiras divididas entre as três Secções de Cirurgia, de Medicina e Ciências Aplicadas à Medicina.

O atual presidente da ANM e membro da Academia Brasileira de Ciências é o professor Dr. Rubens Belfort Jr.

Conteúdo produzido por Glória Cohen

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